{"id":880,"date":"2023-05-27T00:26:04","date_gmt":"2023-05-27T00:26:04","guid":{"rendered":"https:\/\/conserv.org.br\/2023\/05\/nao-e-so-o-desmatamento-ilegal-que-destroi-a-amazonia-o-legal-tambem\/"},"modified":"2023-05-27T00:26:04","modified_gmt":"2023-05-27T00:26:04","slug":"nao-e-so-o-desmatamento-ilegal-que-destroi-a-amazonia-o-legal-tambem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/conserv.org.br\/en\/2023\/05\/nao-e-so-o-desmatamento-ilegal-que-destroi-a-amazonia-o-legal-tambem\/","title":{"rendered":"\u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o [desmatamento] ilegal que destr\u00f3i a Amaz\u00f4nia: o legal tamb\u00e9m\u201d"},"content":{"rendered":"<p>\u201cA cat\u00e1strofe se aproximou de n\u00f3s. Todas as vozes precisam ser escutadas sob pena da gente perder tempo e atrasar ainda mais aquilo que j\u00e1 dev\u00edamos ter come\u00e7ado\u201d. Com essas palavras, a coordenadora de projetos da FVPP (Funda\u00e7\u00e3o Viver, Produzir e Preservar), Ana Paula dos Santos Souza, deu in\u00edcio \u00e0 participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil no debate \u201c<a href=\"https:\/\/www.brazilclimatehub.org\/events\/o-futuro-da-amazonia-conciliando-producao-agropecuaria-e-conservacao-da-floresta\/\">O futuro da Amaz\u00f4nia: conciliando produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria e conserva\u00e7\u00e3o da floresta<\/a>\u201d, transmitido na segunda-feira (8\/11), no espa\u00e7o do <a href=\"https:\/\/www.brazilclimatehub.org\/\">Brazil Climate Action Hub<\/a> na COP26.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o [desmatamento] ilegal que destr\u00f3i a Amaz\u00f4nia\u201d, continuou, \u201ce talvez seja essa a parte mais dura, porque o legal tamb\u00e9m destr\u00f3i. Por tr\u00e1s da minera\u00e7\u00e3o, do agrot\u00f3xico e do monocultivo, dessa produ\u00e7\u00e3o e metaboliza\u00e7\u00e3o voraz dos recursos, h\u00e1 uma l\u00f3gica perversa movida por uma gan\u00e2ncia sem limites\u201d, lamentou Souza.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m participaram do evento, no primeiro de dois pain\u00e9is de discuss\u00e3o, o diretor-executivo no IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia) Andr\u00e9 Guimar\u00e3es; a diretora de Ci\u00eancia no IPAM e coordenadora do MapBiomas Fogo, Ane Alencar; o governador do Estado do Par\u00e1 e representante do Cons\u00f3rcio de Governadores da Amaz\u00f4nia Legal, Helder Barbalho; o CEO da Klabin, Cristiano Teixeira, e o enviado especial do departamento de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica do Minist\u00e9rio de Clima e Meio Ambiente da Noruega, Hans Brattskar.<\/p>\n<p>No segundo painel estiveram o cofacilitador da Coaliz\u00e3o Brasil, Marcello Brito; a l\u00edder de estrat\u00e9gia de envolvimento em meio ambiente e agricultura para a Am\u00e9rica Latina na Bayer, Alessandra Fajardo; o cientista e economista ambiental no Woodwell Climate Research Center, Glenn Bush; e o diretor-geral na FCDS (Fundaci\u00f3n para la Conservaci\u00f3n y el Desarrollo Sostenible), Rodrigo Botero.<\/p>\n<p><strong>Conservar no presente para garantir o futuro<\/strong><\/p>\n<p>A fala da coordenadora vai ao encontro do que o pesquisador no IPAM Marcelo Stabile disse, horas antes, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=6yOxY2nMq7w\">apresentando<\/a> a iniciativa do <a href=\"https:\/\/conserv.org.br\/en\/\">CONSERV<\/a> na Confer\u00eancia do Clima: \u201cH\u00e1 uma necessidade de parar n\u00e3o apenas o desmatamento, mas sobretudo o desmatamento legal\u201d. Desenvolvido pelo IPAM, pelo Woodwell Climate e pelo EDF (Environmental Defense Fund), o CONSERV apresenta uma das possibilidades de futuro para conciliar a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria e a conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia Legal, ao compensar grandes produtores rurais por manterem a vegeta\u00e7\u00e3o nativa que poderiam, por lei, suprimir em suas propriedades.<\/p>\n<p>Na Amaz\u00f4nia Legal, o percentual que pode ser derrubado corresponde a 20% dos im\u00f3veis rurais, isto \u00e9, 11 milh\u00f5es de hectares. Em <a href=\"https:\/\/ipam.org.br\/ha-um-ano-conserv-remunera-produtores-rurais-para-nao-suprimirem-florestas\/\">um ano de atividade<\/a> do mecanismo, foram nove contratos com produtores, 25 pagamentos realizados e uma \u00e1rea de mais de 11 mil campos de futebol, metade do territ\u00f3rio de Glasgow, conservada \u2013 isso significa 133 milh\u00f5es de toneladas de carbono estocado no solo que, se desmatado, equivaleria a 22% das emiss\u00f5es do Brasil em 2019 . \u201cEstamos trabalhando para escalar o CONSERV chegando a vinte contratos e a mais de 20 mil hectares conservados nos pr\u00f3ximos meses\u201d, anunciou Stabile.<\/p>\n<p>Se o CONSERV atua em parceria multissetorial para a conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia e do Cerrado, a vis\u00e3o e a atua\u00e7\u00e3o do setor p\u00fablico foi evidenciada no debate pelo Cons\u00f3rcio de Governadores da Amaz\u00f4nia Legal. \u201cN\u00f3s, estados subnacionais, compreendemos a import\u00e2ncia de dialogar de forma coletiva no olhar da regi\u00e3o amaz\u00f4nica. Com a constitui\u00e7\u00e3o e o fortalecimento do cons\u00f3rcio, temos debatido uma constru\u00e7\u00e3o que possa ser un\u00edssona, para ampliar o n\u00edvel de representa\u00e7\u00e3o, considerando as peculiaridades de cada estado da Amaz\u00f4nia\u201d, afirmou o governador do Par\u00e1. Os estados que comp\u00f5em a Amaz\u00f4nia Legal s\u00e3o: Acre, Amap\u00e1, Amazonas, Mato Grosso, Maranh\u00e3o, Par\u00e1, Rond\u00f4nia, Roraima e Tocantins. De acordo com Barbalho, o Par\u00e1 abriga nove dos 35 milh\u00f5es de brasileiros que vivem no bioma amaz\u00f4nico.<\/p>\n<p><strong>Cadeia alimentar mundial<\/strong><\/p>\n<p>Bush destacou a import\u00e2ncia da agricultura brasileira para a economia mundial e para a cadeia alimentar do planeta. Segundo o economista ambiental, a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola do pa\u00eds responde por 7% do crescimento global de suprimentos. \u201cAs rela\u00e7\u00f5es entre o clima e a produtividade do setor agr\u00edcola brasileiro devem levar em conta o financiamento aos produtores para conservar a floresta e diminuir o desmatamento\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>\u201cA agricultura poderia ser um motivador muito grande do desenvolvimento econ\u00f4mico, mas ao mesmo tempo tem muita press\u00e3o sobre nossos recursos e o desmatamento \u00e9 uma dessas respostas que estamos vendo\u201d, complementou Botero.<\/p>\n<p><strong>O que a ci\u00eancia mostra<\/strong><\/p>\n<p>Com dados do <a href=\"https:\/\/mapbiomas.org\/\">MapBiomas<\/a>, Alencar lembrou que \u201capesar de a pecu\u00e1ria ser a principal atividade que ocupa terras j\u00e1 desmatadas no Brasil, quase metade dessas \u00e1reas s\u00e3o de p\u00e9ssima qualidade. Isso indica que podemos investir para melhorar nossa produ\u00e7\u00e3o e at\u00e9 reduzir as emiss\u00f5es\u201d. A diretora ainda comprovou em n\u00fameros a acelera\u00e7\u00e3o do desmatamento no pa\u00eds: cerca de \u2153 de tudo o que foi desmatado no Brasil de 1500 at\u00e9 hoje foi derrubado nos \u00faltimos quarenta anos.<\/p>\n<p>Na Amaz\u00f4nia, que voltou a enfrentar um ritmo de desmatamento de mais de 10 mil km\u00b2 por ano, mais da metade das derrubadas tem ocorrido em <a href=\"https:\/\/ipam.org.br\/pastagem-ocupa-75-da-area-desmatada-em-terras-publicas-na-amazonia\/\">terras p\u00fablicas<\/a> \u2013 principalmente em Florestas P\u00fablicas N\u00e3o Destinadas e em \u00e1reas de florestas sobrepostas com CAR (Cadastro Ambiental Rural). \u201cSe algu\u00e9m me perguntasse: \u2018Ane, o que voc\u00ea faria?\u2019, eu come\u00e7aria pelos desmatamentos de Mudan\u00e7a de Uso da Terra, que s\u00e3o a principal fonte de emiss\u00e3o de gases de efeito estufa no Brasil\u201d, sugeriu Alencar.<\/p>\n<p>\u201cA gente precisa de comando e controle inteligente articulado como j\u00e1 tivemos um dia. Destinar as \u00e1reas p\u00fablicas e tir\u00e1-las do mercado de terras \u00e9 fundamental. Dar um sinal de que investir em \u00e1reas protegidas \u00e9 importante tamb\u00e9m. Isso j\u00e1 derrubaria o desmatamento ao n\u00edvel de 2012, quando tivemos o menor \u00edndice da s\u00e9rie hist\u00f3rica\u201d, completou a diretora. Em 2012 o desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal ficou abaixo de <a href=\"https:\/\/imazon.org.br\/slide\/desmatamento\/#:~:text=S%C3%A9rie%20hist%C3%B3rica%20do%20desmatamento%20Entre%201990%20e%202010%2C,duas%20vezes%20maior%20que%20o%20territ%C3%B3rio%20da%20Alemanha.\">5 mil km\u00b2<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Escutas plurais<\/strong><\/p>\n<p>Representantes do setor privado e de governos internacionais se colocaram no debate como parte da mudan\u00e7a para uma escuta ativa das diferentes vozes envolvidas quando o assunto \u00e9 clima. \u201cEsse processo de escuta que hoje o setor privado tem com comunidades ind\u00edgenas e de agricultores \u00e9 um ponto em comum para todos n\u00f3s, porque o desmatamento constrange a todos n\u00f3s\u201d, afirmou Teixeira.<\/p>\n<p>\u201cEm 2007, o Brasil era pioneiro tanto nas pol\u00edticas quanto no trabalho da sociedade civil com povos ind\u00edgenas e povos da floresta\u201d, comentou Brattskar. \u201cAnos depois vemos um grande engajamento e isso mostra que podemos ir em frente pela diminui\u00e7\u00e3o do desmatamento na Amaz\u00f4nia. Tenho muita esperan\u00e7a e quero ouvir o que voc\u00eas t\u00eam a dizer para trabalharmos ainda mais nessa coopera\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><strong>Caminhos poss\u00edveis<\/strong><\/p>\n<p>Guimar\u00e3es trouxe para a conversa o questionamento sobre a responsabilidade da gera\u00e7\u00e3o atual para o controle da crise clim\u00e1tica. \u201cA gente percebe nas passeatas, nas reivindica\u00e7\u00f5es dos jovens, nas cr\u00edticas de grupos ind\u00edgenas, que estamos entrando em uma nova era. O que n\u00f3s vamos ter que construir daqui para a frente? Este \u00e9 o desafio que essa humanidade vai ter que cumprir. \u00c9 isso que eles est\u00e3o nos cobrando, e \u00e9 isso que n\u00f3s vamos ter que entregar.\u201d<\/p>\n<p>O engajamento de empresas em metas de sustentabilidade, lembrou Fajardo, tamb\u00e9m entra na conta para a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases do efeito estufa. \u201cEssa balan\u00e7a entre produzir e preservar tem que estar em pleno equil\u00edbrio.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEsta COP talvez seja o exemplo da mudan\u00e7a de comportamento. Com tanta representa\u00e7\u00e3o de jovens, de popula\u00e7\u00f5es tradicionais e do setor corporativo, temos uma eboli\u00e7\u00e3o de todos os processos transformativos\u201d, disse Brito.<\/p>\n<p>Para Souza, endossada nas demais falas durante o debate, a sa\u00edda est\u00e1 na atua\u00e7\u00e3o conjunta. \u201cN\u00e3o ser\u00e1 uma \u00fanica iniciativa que resolver\u00e1 nossos problemas, e n\u00e3o ser\u00e1 um \u00fanico segmento social que ter\u00e1 o poder de deter a cat\u00e1strofe clim\u00e1tica. O que a gente est\u00e1 fazendo aqui \u00e9 um exerc\u00edcio solid\u00e1rio. Movimentos sociais n\u00e3o salvam o mundo, mas todo o nosso tempo neste mundo ser\u00e1 de luta. Contem conosco\u201d, concluiu a coordenadora.<\/p>\n<p>Confira a <a href=\"https:\/\/ipam.org.br\/ipam-cop26\/\">agenda<\/a> que o IPAM preparou para levar \u00e0 Confer\u00eancia.<\/p>\n<p>E acesse a <a href=\"https:\/\/www.brazilclimatehub.org\/agenda-2021\/\">programa\u00e7\u00e3o<\/a> do Brazil Climate Hub para participar virtualmente de eventos que ocorrem no espa\u00e7o em Glasgow, na Esc\u00f3cia, at\u00e9 12 de novembro.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA cat\u00e1strofe se aproximou de n\u00f3s. Todas as vozes precisam ser escutadas sob pena da gente perder tempo e atrasar ainda mais aquilo que j\u00e1 dev\u00edamos ter come\u00e7ado\u201d. Com essas palavras, a coordenadora de projetos da FVPP (Funda\u00e7\u00e3o Viver, Produzir e Preservar), Ana Paula dos Santos Souza, deu in\u00edcio \u00e0 participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil no [&hellip;]<\/p>","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[14],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/conserv.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/880"}],"collection":[{"href":"https:\/\/conserv.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/conserv.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/conserv.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=880"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/conserv.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/880\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/conserv.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/conserv.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/conserv.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}