{"id":882,"date":"2023-05-27T00:26:06","date_gmt":"2023-05-27T00:26:06","guid":{"rendered":"https:\/\/conserv.org.br\/2023\/05\/e-possivel-conciliar-o-agronegocio-e-a-amazonia-de-pe\/"},"modified":"2023-05-27T00:26:06","modified_gmt":"2023-05-27T00:26:06","slug":"e-possivel-conciliar-o-agronegocio-e-a-amazonia-de-pe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/conserv.org.br\/en\/2023\/05\/e-possivel-conciliar-o-agronegocio-e-a-amazonia-de-pe\/","title":{"rendered":"\u00c9 poss\u00edvel conciliar o agroneg\u00f3cio e a Amaz\u00f4nia de p\u00e9?"},"content":{"rendered":"<p>Se por um lado o agroneg\u00f3cio \u00e9 respons\u00e1vel por 21,6% do PIB brasileiro \u2013 segundo dados de 2019 do Minist\u00e9rio da Agricultura -, por outro, o setor \u00e9 apontado como um dos grandes respons\u00e1veis pelo desmatamento de florestas tropicais. Um relat\u00f3rio recentemente publicado pela <a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/noticias\/relatorio-expoe-agronegocio-como-grande-motor-do-desmatamento-ilegal-de-florestas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Forest Trends<\/a> mostrou que a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola comercial foi respons\u00e1vel por 60% de toda \u00e1rea florestal perdida mundialmente, sendo 69% desse territ\u00f3rio (uma \u00e1rea maior do que o estado de S\u00e3o Paulo) desmatado de forma ilegal. O Brasil est\u00e1 entre os pa\u00edses mais afetados \u2013 e j\u00e1 n\u00e3o existe espa\u00e7o para negar a crise ambiental, em especial na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>No entanto, \u201cn\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel, como \u00e9 necess\u00e1rio conciliar o agroneg\u00f3cio e a Amaz\u00f4nia de p\u00e9\u201d, afirma <strong>Argemiro Teixeira<\/strong>, pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em participa\u00e7\u00e3o num <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=q23lfw22l4E\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">debate<\/a> promovido pelo<a href=\"https:\/\/ocaa.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> Observat\u00f3rio de Com\u00e9rcio e Ambiente da Amaz\u00f4nia (OCAA)<\/a> nesta quinta-feira (26\/08), sobre a crise h\u00eddrica e o papel do setor privado na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 economicamente vi\u00e1vel expandir lavouras em cima de florestas, porque os preju\u00edzos s\u00e3o muito maiores\u201d, explica o pesquisador, cujo <a href=\"https:\/\/ocaa.org.br\/publicacao\/deforestation-reduces-rainfall-and-agricultural-revenues-in-the-brazilian-amazon\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estudo publicado pela Nature<\/a> mostra que a diminui\u00e7\u00e3o de chuvas, devido ao desmatamento da Amaz\u00f4nia, reduz tamb\u00e9m a produtividade e, consequentemente, o rendimento de produtores. \u201cNo cen\u00e1rio atual, sem uma pol\u00edtica eficaz de combate ao desmatamento, as perdas para produ\u00e7\u00e3o de soja at\u00e9 2050 podem ser de R$ 32,2 bilh\u00f5es. J\u00e1 para a produ\u00e7\u00e3o de carne, n\u00f3s ter\u00edamos perdas de aproximadamente R$ 1 trilh\u00e3o nas pr\u00f3ximas tr\u00eas d\u00e9cadas.\u201d<\/p>\n<p>Teixeira defende que o combate ao desmatamento precisa ser considerado uma pol\u00edtica nacional \u2013 uma pol\u00edtica ambiental tamb\u00e9m a favor do agroneg\u00f3cio. \u201cSob a perspectiva econ\u00f4mica, a Amaz\u00f4nia disp\u00f5e de potencial relevante para gerar riqueza e prosperidade a partir de variados produtos e servi\u00e7os com qualidade, agregando valor e conservando o patrim\u00f4nio gen\u00e9tico por meio de excel\u00eancia em pesquisa, desenvolvimento e inova\u00e7\u00e3o\u201d, complementou <strong>Ludmila Rattis<\/strong>, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (IPAM) e moderadora do evento virtual do OCAA.<\/p>\n\n<h4><strong>Falta de integra\u00e7\u00e3o entre os atores envolvidos<\/strong><\/h4>\n<p>Representantes do setor privado e do governo se mostraram igualmente a favor de pol\u00edticas socioambientais e econ\u00f4micas que avancem juntas e comentaram, durante o evento, que falta integra\u00e7\u00e3o entre os diversos atores envolvidos na conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia e no com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Segundo<strong> Marcello Brito<\/strong>, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Agroneg\u00f3cio (Abag), muitos produtores do setor entendem a import\u00e2ncia da floresta em p\u00e9 e das pol\u00edticas socioambientais para seus pr\u00f3prios neg\u00f3cios e que a verdadeira barreira \u00e9 a falta de informa\u00e7\u00e3o. \u201cO problema \u00e9 que o acesso a esse tipo de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 limitado a pouca gente\u201d, explicou no evento do OCAA. \u201cPrecisamos acabar com a insanidade do desmatamento da Amaz\u00f4nia e a ci\u00eancia j\u00e1 comprovou isso [que traz preju\u00edzo \u00e0s safras]. Tem muita gente no agro brasileiro que trabalha para trazer alimentos de alt\u00edssima qualidade para nossas casas, mas vivemos um momento em que a ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 respeitada e n\u00e3o tem sido aplicada no Brasil\u201d, disse.<\/p>\n<p>O coordenador-geral de Informa\u00e7\u00f5es Estrat\u00e9gicas da Secretaria de Inova\u00e7\u00e3o, Desenvolvimento Rural e Irriga\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Agricultura, <strong>Raimundo Deusdar\u00e1 Filho<\/strong>, que tamb\u00e9m marcou presen\u00e7a no encontro do OCAA, destacou que algumas pesquisas do Minist\u00e9rio apontaram que os cidad\u00e3os brasileiros, principalmente residentes em \u00e1reas urbanas, pensam na gravidade da crise h\u00eddrica apenas quando falta \u00e1gua no dia a dia. \u201c\u00c9 cada vez mais necess\u00e1rio o engajamento pela conserva\u00e7\u00e3o ambiental para assegurar uma produ\u00e7\u00e3o de qualidade e sem maiores frustra\u00e7\u00f5es. O fogo foi uma emerg\u00eancia cr\u00f4nica e espero que a crise h\u00eddrica n\u00e3o chegue a esse ponto tamb\u00e9m\u201d, falou.<\/p>\n<p>Para Brito, \u00e9 preciso fortalecer a integra\u00e7\u00e3o do Brasil. \u201cSomos produtores respeitados mundialmente, porque abra\u00e7amos as cifras. O pr\u00f3ximo passo \u00e9 abra\u00e7ar a ci\u00eancia ambiental. Essa \u00e9 a \u00fanica sa\u00edda a longo prazo no Brasil. Em troca, pelo cuidado com o meio ambiente, teremos mais acesso ao mercado para beneficiar nossa popula\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou. E, para isso, Deusdar\u00e1 aponta que \u00e9 fundamental quebrar a ideia de que um ator \u00e9 bom e outro \u00e9 ruim. \u201cPrecisamos de um lugar para discutir, estabelecer uma agenda de trabalho, sem avalia\u00e7\u00e3o antecipada do que \u00e9 ruim ou bom\u201d, concluiu.<\/p>\n\n<h4><strong>Incentivos pela prote\u00e7\u00e3o ambiental\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>Outro ponto discutido no evento como pe\u00e7a fundamental para a prote\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 o incentivo econ\u00f4mico aos produtores. Apesar de avan\u00e7os no setor privado com a Lei de Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais (14.119\/21), sancionada em janeiro deste ano, Deusdar\u00e1 disse que ainda n\u00e3o existem pol\u00edticas p\u00fablicas para alavancar e subsidiar a prote\u00e7\u00e3o de nascentes.<\/p>\n<p>Ele destacou o trabalho feito pelo <a href=\"http:\/\/observatorio.agropecuaria.inmet.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Observat\u00f3rio da Agropecu\u00e1ria Brasileira<\/a>, que re\u00fane informa\u00e7\u00f5es sistematizadas da agropecu\u00e1ria brasileira. \u201cA plataforma traz informa\u00e7\u00f5es oficiais do agroneg\u00f3cio e que podem ajudar cientistas, tomadores de decis\u00e3o, formadores de pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, disse. \u201cNa medida em que declara a nascente localizada em sua propriedade, o produtor assume direitos de manuten\u00e7\u00e3o das nascentes. A informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel \u00e9 segura e estrat\u00e9gica para eventuais programas de formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que valorizem os produtores que protegem as nascentes ou criar condi\u00e7\u00f5es de subs\u00eddios para ver suas nascentes recuperadas.\u201d<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, um exemplo de projeto que dialoga com diversos atores \u2013 produtores, sociedade civil, popula\u00e7\u00f5es tradicionais e investidores \u2013 e aposta no incentivo econ\u00f4mico est\u00e1 em pleno funcionamento em Mato Grosso. Lan\u00e7ado pelo IPAM em 2020, em parceria com o <em>Woodwell Climate Research Center <\/em>e o<em> Environmental Defense Fund<\/em>, o Conserv \u00e9 um mecanismo focado no desmatamento legal, cuja premissa \u00e9 construir um novo paradigma do uso da terra no Brasil, conciliando produ\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O programa \u00e9 privado, de ades\u00e3o volunt\u00e1ria e j\u00e1 conta com 8.410 hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa protegida \u2013 n\u00famero que corresponde a mais de oito mil campos de futebol. A proposta do Conserv \u00e9 oferecer uma solu\u00e7\u00e3o para a mitiga\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, por meio de incentivo econ\u00f4mico, recompensando m\u00e9dios e grandes produtores da Amaz\u00f4nia Legal por conservarem uma \u00e1rea, dentro de suas propriedades, que o C\u00f3digo Florestal permite que seja suprimida.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se por um lado o agroneg\u00f3cio \u00e9 respons\u00e1vel por 21,6% do PIB brasileiro \u2013 segundo dados de 2019 do Minist\u00e9rio da Agricultura -, por outro, o setor \u00e9 apontado como um dos grandes respons\u00e1veis pelo desmatamento de florestas tropicais. Um relat\u00f3rio recentemente publicado pela Forest Trends mostrou que a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola comercial foi respons\u00e1vel por [&hellip;]<\/p>","protected":false},"author":0,"featured_media":883,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[14],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/conserv.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/882"}],"collection":[{"href":"https:\/\/conserv.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/conserv.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/conserv.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=882"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/conserv.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/882\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/conserv.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/883"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/conserv.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=882"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/conserv.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=882"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/conserv.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=882"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}