{"id":953,"date":"2025-07-14T09:25:05","date_gmt":"2025-07-14T09:25:05","guid":{"rendered":"https:\/\/conserv.org.br\/2025\/07\/o-conserv-busca-aproximar-visoes-aparentemente-antagonicas-por-um-objetivo-comum\/"},"modified":"2025-07-14T09:25:05","modified_gmt":"2025-07-14T09:25:05","slug":"o-conserv-busca-aproximar-visoes-aparentemente-antagonicas-por-um-objetivo-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/conserv.org.br\/en\/2025\/07\/o-conserv-busca-aproximar-visoes-aparentemente-antagonicas-por-um-objetivo-comum\/","title":{"rendered":"\u201cO CONSERV busca aproximar vis\u00f5es aparentemente antag\u00f4nicas por um objetivo comum\u201d\u00a0"},"content":{"rendered":"<p><em>Sara Leal*\u00a0<\/em><\/p>\n<p>A nova edi\u00e7\u00e3o da newsletter Um Grau e Meio fala sobre incentivos financeiros que valorizem florestas em propriedades privadas para enfrentar os desafios das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Para isso, apresenta o CONSERV, mecanismo que remunera propriet\u00e1rios rurais e empresas agr\u00edcolas por protegerem o excedente de vegeta\u00e7\u00e3o nativa que poderiam, por lei, desmatar.<\/p>\n<p>Em entrevista, Andr\u00e9 Guimar\u00e3es, diretor executivo do IPAM e um dos idealizadores do CONSERV, explica como funciona o projeto, os desafios enfrentados durante sua implementa\u00e7\u00e3o e resultados at\u00e9 aqui. Leia a \u00edntegra.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/ipam.org.br\/um-grau-e-meio-newsletter\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Inscreva-se para receber a newsletter do IPAM gratuitamente no seu e-mail.\u00a0<\/a><\/p>\n<p><strong>Qual a diferen\u00e7a entre o CONSERV e outras iniciativas de incentivo financeiro que j\u00e1 existem, como PSA e REDD+?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Tem duas caracter\u00edsticas vitais para o sucesso do CONSERV. A primeira \u00e9 que foi constru\u00eddo de baixo para cima: antes de desenharmos esse mecanismo financeiro, fomos a campo e fizemos consultas aos produtores para entender o que os convenceria a renunciar ao seu direito de desmatar.<\/p>\n<p>A segunda caracter\u00edstica \u00e9 que sempre lutamos para que o CONSERV fosse simples. O dinheiro vai, o hectare de vegeta\u00e7\u00e3o nativa fica. N\u00e3o tem que indexar em tonelada de carbono, imaginar o valor da biodiversidade, taxas disso, daquilo etc. Essa simplicidade \u00e9 uma das maiores virtudes do projeto.<\/p>\n<p>H\u00e1 outros mecanismos financeiros que atrelam o benef\u00edcio a uma taxa de juros diferenciada, um tipo de investimento diferente, abertura de mercado mais espec\u00edfica. Isso \u00e0s vezes \u00e9 intang\u00edvel para o produtor.<\/p>\n<p><strong>Como foi a recep\u00e7\u00e3o dos produtores ao projeto?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Nunca foi f\u00e1cil convencer produtores a renunciarem a um direito, mesmo que em troca de uma remunera\u00e7\u00e3o. Alterar direitos estabelecidos pela lei \u00e9, talvez, a quest\u00e3o mais sens\u00edvel de uma pessoa ou de uma empresa.<\/p>\n<p>Essa caracter\u00edstica do projeto de pensar fora da caixa exigiu muita sensibilidade da equipe do IPAM e coragem dos produtores.<\/p>\n<p>N\u00f3s estamos num momento da hist\u00f3ria em que ainda h\u00e1 vis\u00f5es que carregam um modelo antigo de produ\u00e7\u00e3o e de rela\u00e7\u00e3o com a natureza. Por outro lado, pessoas, especialistas e mesmo empres\u00e1rios j\u00e1 t\u00eam uma vis\u00e3o mais contempor\u00e2nea de que teremos que manter mais vegeta\u00e7\u00e3o nativa no mundo se quisermos seguir convivendo bem no planeta.<\/p>\n<p>A meu ver, temos que olhar para esse momento da hist\u00f3ria procurando valorizar os dissensos. \u00c9 a partir desta dicotomia, buscando entender quem pensa diferente, que os caminhos s\u00e3o constru\u00eddos.<\/p>\n<p>Creio que a beleza de um projeto como o CONSERV, e at\u00e9 na nossa atua\u00e7\u00e3o enquanto entidade cient\u00edfica que se prop\u00f5e a qualificar o debate, \u00e9 acoplar os anseios e as expectativas de quem pensa diferente. O CONSERV busca aproximar vis\u00f5es aparentemente antag\u00f4nicas que podem ser harmonizadas em torno de um objetivo comum.<\/p>\n<p><strong>Quais os resultados do projeto at\u00e9 agora?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Acho que o primeiro resultado \u00e9 provar a tese de que \u00e9 poss\u00edvel conservar para al\u00e9m da exig\u00eancia da lei, desde que haja incentivos. E hoje, na conjuntura global, temos que ir al\u00e9m do que o C\u00f3digo Florestal exige; sermos mais abrangentes e num per\u00edodo mais curto poss\u00edvel para evitar os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que j\u00e1 est\u00e3o intensos.<\/p>\n<p>Um aprendizado \u00e9 que, por conta do CONSERV, sabemos hoje quanto custa pagar para conservar no Brasil, o que faz da iniciativa um marco. Ainda, o projeto criou uma forma nova de pensar sobre conserva\u00e7\u00e3o em propriedades privadas.<\/p>\n<p>Tivemos aprendizados sutis tamb\u00e9m, como relacionar-se com um coletivo que pensa diferente, incorporando vis\u00f5es distintas. Essa escuta faz com que o IPAM seja uma das poucas organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil do Brasil que tem um di\u00e1logo aberto e franco com o agroneg\u00f3cio, tanto concord\u00e2ncias quanto discord\u00e2ncias.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea v\u00ea o CONSERV no futuro?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Precisamos colocar o CONSERV numa perspectiva mais ampla, da nova rela\u00e7\u00e3o da humanidade com a natureza. N\u00f3s n\u00e3o conseguiremos sobreviver nesse pa\u00eds se n\u00e3o houver manuten\u00e7\u00e3o da floresta tropical, harmonia entre seres humanos e natureza.<\/p>\n<p>Do jeito que a gente vai poluindo os oceanos, matando os rios, degradando florestas, aumentando a temperatura do planeta, n\u00f3s estamos indo para a derrocada. Isso \u00e9 expresso pelas cat\u00e1strofes clim\u00e1ticas, pelo aumento da temperatura, pela mudan\u00e7a de microclima local. H\u00e1 v\u00e1rias express\u00f5es da natureza que est\u00e3o apontando que passamos dos limites.<\/p>\n<p>Desde o primeiro Homo sapiens, 300 mil anos atr\u00e1s, n\u00e3o paramos de expandir e nos espalhar por todos os cantos do planeta, mas isso vem com um custo. \u00c9 preciso colocar em pr\u00e1tica uma nova forma de a esp\u00e9cie humana se relacionar com a natureza.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco tempo, o valor era visto em retirar a natureza. Hoje, o valor est\u00e1 em como voc\u00ea inclui a natureza dentro do processo.<\/p>\n<p>Portanto, a grande pergunta da humanidade atualmente \u00e9: somos uma esp\u00e9cie inteligente o suficiente para poder neutralizar a caracter\u00edstica gen\u00e9tica de expandir o tempo todo? A resposta a essa pergunta vai dizer se a gente merece continuar vivendo na Terra.<br \/>\n<em>*Coordenadora de Comunica\u00e7\u00e3o do IPAM\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/ipam.org.br\/o-conserv-busca-aproximar-visoes-aparentemente-antagonicas-por-um-objetivo-comum\/\">\u201cO CONSERV busca aproximar vis\u00f5es aparentemente antag\u00f4nicas por um objetivo comum\u201d\u00a0<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/ipam.org.br\/pt\">IPAM Amaz\u00f4nia<\/a>.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sara Leal*\u00a0 A nova edi\u00e7\u00e3o da newsletter Um Grau e Meio fala sobre incentivos financeiros que valorizem florestas em propriedades privadas para enfrentar os desafios das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Para isso, apresenta o CONSERV, mecanismo que remunera propriet\u00e1rios rurais e empresas agr\u00edcolas por protegerem o excedente de vegeta\u00e7\u00e3o nativa que poderiam, por lei, desmatar. 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