{"id":954,"date":"2025-08-21T18:28:19","date_gmt":"2025-08-21T18:28:19","guid":{"rendered":"https:\/\/conserv.org.br\/2025\/08\/fazendas-protegem-area-maior-que-reserva-legal-depois-do-conserv\/"},"modified":"2025-08-21T18:28:19","modified_gmt":"2025-08-21T18:28:19","slug":"fazendas-protegem-area-maior-que-reserva-legal-depois-do-conserv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/conserv.org.br\/en\/2025\/08\/fazendas-protegem-area-maior-que-reserva-legal-depois-do-conserv\/","title":{"rendered":"Fazendas protegem \u00e1rea maior que reserva legal depois do CONSERV"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Sara Leal*<\/em><\/p>\n<p>Propriet\u00e1rios rurais e empresas agr\u00edcolas que, durante cinco anos, foram remunerados para manter o excedente de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, seguem conservando suas \u00e1reas mesmo ap\u00f3s o fim dos pagamentos da primeira etapa do CONSERV, projeto conduzido pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia) no Cerrado e na Amaz\u00f4nia brasileira.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s comprovar a tese de que \u00e9 poss\u00edvel reduzir o desmatamento legal por meio de compensa\u00e7\u00e3o financeira, o CONSERV se estabeleceu como um modelo seguro que pode ser escalonado.<\/p>\n<p>De 2020 a 2024, o projeto chegou a 32 contratos firmados com propriet\u00e1rios rurais e empresas no Estado de Mato Grosso, no Par\u00e1 e no Maranh\u00e3o. Foram protegidos mais de 27 mil hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa al\u00e9m da reserva legal, ou seja, aquela que poderia ser legalmente suprimida. Destes, 7 mil hectares seguem sendo remunerados por contrato.<\/p>\n<p>Para participar do CONSERV, as propriedades passam por verifica\u00e7\u00e3o de cumprimento \u00e0 lei, como manuten\u00e7\u00e3o de reserva legal e APPs (\u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente), com monitoramento cont\u00ednuo. As \u00e1reas contratadas totalizaram mais de 54 mil hectares de reserva legal e quase 19 mil hectares de APPs, somando um total de mais de 105 mil hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa total conservada.<\/p>\n<p>\u201cAo informar os produtores sobre o encerramento dos pagamentos, para a minha surpresa e felicidade, praticamente todos os ent\u00e3o contratados optaram por seguir conservando\u201d, enfatiza Andr\u00e9 Guimar\u00e3es, diretor executivo do IPAM. \u201cEssas pessoas n\u00e3o s\u00f3 entenderam a import\u00e2ncia do seu papel enquanto produtores de alimentos, mas tamb\u00e9m como estabilizadores do clima do planeta\u201d.<\/p>\n<p>A manuten\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, que oferecem umidade e regula\u00e7\u00e3o da temperatura local, por exemplo, foi o benef\u00edcio mais percebido nas propriedades rurais que participaram da experi\u00eancia e decidiram seguir protegendo a vegeta\u00e7\u00e3o nativa.<\/p>\n<p><strong>Valoriza\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA experi\u00eancia do CONSERV era algo que desej\u00e1vamos h\u00e1 muito tempo e nos fez bem. Conservar acaba sendo prazeroso\u201d, afirma Redi Biezus, produtor rural em Sapezal (MT), ex-participante do CONSERV que tamb\u00e9m optou por n\u00e3o suprimir a vegeta\u00e7\u00e3o nativa antes contratada.<\/p>\n<p>\u201cEu sempre vi o projeto como algo pioneiro e ele acabou sensibilizando e quebrando a resist\u00eancia de muita gente, tanto \u00e9 que v\u00e1rias pessoas da regi\u00e3o estavam querendo ingressar\u201d, diz o produtor.<\/p>\n<p>Ainda, Biezus acredita que proporcionar um tratamento diferenciado para propriet\u00e1rios rurais que participem de iniciativas de conserva\u00e7\u00e3o, por exemplo ao buscar apoio para alavancar as atividades desenvolvidas na propriedade, incentivaria ainda mais pessoas a participarem.<\/p>\n<div class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p class=\"wp-caption-text\">Andr\u00e9 Guimar\u00e3es, diretor executivo do IPAM, em visita \u00e0 propriedade de Redi Biezus, produtor rural (Foto: Sara Leal\/IPAM)<\/p>\n<\/div>\n<p>Motivados pelo CONSERV, os ex-participantes do projeto na regi\u00e3o criaram uma brigada de inc\u00eandio iniciada por Carlos Roberto Simoneti, um dos pioneiros a ingressar na iniciativa. Sapezal engloba os biomas Cerrado e Amaz\u00f4nia. Segundo dados do MapBiomas, os dois biomas, juntos, t\u00eam 86% da \u00e1rea queimada nos \u00faltimos 40 anos.<\/p>\n<p>O produtor investiu parte do valor pago pela iniciativa em a\u00e7\u00f5es de combate ao fogo, como a compra de um caminh\u00e3o pipa e a aquisi\u00e7\u00e3o de cursos para capacitar seus funcion\u00e1rios contra queimadas, especialmente na \u00e9poca da seca.<\/p>\n<div class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p class=\"wp-caption-text\">Caminh\u00e3o de combate a inc\u00eandio comprado com valor pago pelo CONSERV (Foto: IPAM)<\/p>\n<\/div>\n<p>Simoneti relata que animais s\u00e3o avistados com frequ\u00eancia em sua propriedade, inclusive on\u00e7as pintadas com filhotes. \u201cIsso porque estamos conservando, n\u00e3o deixamos pegar fogo, ent\u00e3o n\u00e3o tem palavras para descrever o qu\u00e3o positiva foi a experi\u00eancia com o CONSERV. Meus filhos tamb\u00e9m querem levar adiante a ideia de seguir conservando e ainda temos esperan\u00e7as de que surja outra oportunidade como o projeto\u201d, diz o propriet\u00e1rio rural.<\/p>\n<div class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p class=\"wp-caption-text\">Registro de on\u00e7a pintada avistada na propriedade de Carlos Roberto Simoneti (Foto: Arquivo pessoal)<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cEssas pessoas perceberam um ganho para al\u00e9m do financeiro, come\u00e7aram a olhar o seu papel no mundo de uma forma mais aderente com os desafios atuais do planeta. Este \u00e9 um resultado intang\u00edvel, dif\u00edcil de mensurar, mas talvez seja o mais importante do CONSERV\u201d, afirma Andr\u00e9 Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p><strong>Bom para o clima, bom para os neg\u00f3cios<\/strong><\/p>\n<p>A SLC Agr\u00edcola foi uma das empresas que decidiu por manter as \u00e1reas que, antes, faziam parte do CONSERV, \u201cEnxergamos valor estrat\u00e9gico na manuten\u00e7\u00e3o de ativos ambientais e na ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas que promovam servi\u00e7os ecossist\u00eamicos. Al\u00e9m disso, entendemos que conservar \u00e1reas al\u00e9m das exig\u00eancias legais fortalece a reputa\u00e7\u00e3o da empresa, melhora o relacionamento com stakeholders e contribui diretamente para metas globais de enfrentamento das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, afirma Tiago Agne, gerente de Sustentabilidade da SLC.<\/p>\n<div class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p class=\"wp-caption-text\">\u00c0 \u00e9poca da assinatura do contrato com o CONSERV, a SLC Agr\u00edcola instalou placa em \u00e1rea conservada com indica\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o no projeto (Foto: Sara Leal\/IPAM)<\/p>\n<\/div>\n<p>A empresa Amaggi tamb\u00e9m optou por n\u00e3o suprimir a vegeta\u00e7\u00e3o nativa excedente. \u201cO projeto ajudou a ampliar o di\u00e1logo sobre mecanismos de mercado e pol\u00edticas p\u00fablicas capazes de considerar o esfor\u00e7o de produtores que mant\u00eam \u00e1reas preservadas al\u00e9m do m\u00ednimo legal\u201d, explica Fabiana Reguero, gerente Socioambiental da Amaggi.<\/p>\n<p>Para ela, projetos como o CONSERV ajudam a demonstrar que \u00e9 poss\u00edvel conciliar a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria competitiva com a prote\u00e7\u00e3o dos ecossistemas. \u201cGostar\u00edamos que ganhasse escala e se consolidasse como um mecanismo de mercado permanente. Iniciativas como essa mostram ao mundo que o agro brasileiro est\u00e1 disposto a inovar e assumir compromissos concretos com a preserva\u00e7\u00e3o ambiental e o combate \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, complementa.<\/p>\n<div class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p class=\"wp-caption-text\">Assinatura do contrato entre IPAM, por meio do CONSERV, e empresa Amaggi (Foto: Sara Leal\/IPAM)<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas e corredor ecol\u00f3gico<\/strong><\/p>\n<p>Os benef\u00edcios do CONSERV v\u00e3o al\u00e9m da \u00e1rea conservada diretamente pela iniciativa. Ap\u00f3s assinatura dos contratos, a equipe do CONSERV realiza recomenda\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas para melhorias nas propriedades rurais que culminaram, por exemplo, na recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas.<\/p>\n<div class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p class=\"wp-caption-text\">Eros\u00e3o encontrada em propriedade, antes e depois da assinatura do contrato entre IPAM e propriet\u00e1rio rural. Valor pago pelo CONSERV foi investido em recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1rea degradada (Foto: IPAM)<\/p>\n<\/div>\n<p>Em Sapezal (MT), as fazendas participantes do CONSERV criaram um corredor de vegeta\u00e7\u00e3o nativa com 13 km de extens\u00e3o, garantindo a aus\u00eancia de fontes de degrada\u00e7\u00e3o, incluindo queimadas, ca\u00e7a e explora\u00e7\u00e3o madeireira.<\/p>\n<div class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p class=\"wp-caption-text\">Corredor de vegeta\u00e7\u00e3o nativa em \u00e1reas que participaram do CONSERV em Sapezal, Estado de Mato Grosso (Foto: IPAM)<\/p>\n<\/div>\n<p>J\u00e1 em Porto dos Ga\u00fachos (MT), uma propriedade que participou do CONSERV (em verde, ao centro) protege um grande remanescente de floresta nativa, tornando-se uma \u201cilha de conserva\u00e7\u00e3o\u201d em meio a uma \u00e1rea de intenso desmatamento e degrada\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<div class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p class=\"wp-caption-text\">\u00c1rea j\u00e1 contratada pelo CONSERV aparece como \u201cilha de conserva\u00e7\u00e3o\u201d, ao centro. Demais pol\u00edgonos representam embargos, autoriza\u00e7\u00f5es de desmatamento, infra\u00e7\u00f5es e autua\u00e7\u00f5es ambientais de diversas fontes oficiais (Foto: IPAM)<\/p>\n<\/div>\n<p>Ainda, propriedades CONSERV localizadas em zonas cr\u00edticas para a conectividade da paisagem regional servem como centros, facilitando a converg\u00eancia de v\u00e1rias rotas de movimenta\u00e7\u00e3o da vida selvagem.<\/p>\n<div class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p class=\"wp-caption-text\">\u00c1reas CONSERV servem como rotas de movimenta\u00e7\u00e3o da vida selvagem. Foto: IPAM<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>CONSERV<\/strong><\/p>\n<p>Lan\u00e7ado em 2020, o CONSERV coloca em pr\u00e1tica um modelo de neg\u00f3cio eficiente e rent\u00e1vel para produtores, ao mesmo tempo em que identifica o esfor\u00e7o que esses atores desempenham na conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desenvolvido pelo IPAM em parceria com o Woodwell Climate Research Center e EDF (Environmental Defense Fund), a primeira fase do CONSERV teve apoio da Embaixada dos Pa\u00edses Baixos e da Noruega.<\/p>\n<p>O mecanismo iniciou uma nova fase de contrata\u00e7\u00f5es em Mato Grosso e no Maranh\u00e3o. Esta segunda etapa faz parte de uma iniciativa de paisagem chamada \u201cProdutores em Foco\u201d. Al\u00e9m da remunera\u00e7\u00e3o, prev\u00ea ATER (Assist\u00eancia T\u00e9cnica Rural) para apoiar boas pr\u00e1ticas no uso da terra e melhorias para aumento da produtividade; al\u00e9m de a\u00e7\u00f5es de governan\u00e7a que incluem compliance e certifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2025, foram protegidos mais de 7 mil hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa excedente e os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos prestados por ela \u2013 cerca de 4 mil hectares no Oeste de Mato Grosso e 3 mil no Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Considerada uma a\u00e7\u00e3o coletiva inovadora para o agroneg\u00f3cio em n\u00edvel de paisagem, a nova fase \u00e9 uma parceria entre o IPAM e o Instituto PCI (Produzir, Conservar e Incluir), do Governo de Mato Grosso, com apoio do SCF (Soft Commodities Forum)\/Abiove.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>*Coordenadora de Comunica\u00e7\u00e3o do IPAM<\/em><\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/ipam.org.br\/fazendas-protegem-area-maior-que-reserva-legal-depois-do-conserv\/\">Fazendas protegem \u00e1rea maior que reserva legal depois do CONSERV<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/ipam.org.br\/pt\">IPAM Amaz\u00f4nia<\/a>.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Sara Leal* Propriet\u00e1rios rurais e empresas agr\u00edcolas que, durante cinco anos, foram remunerados para manter o excedente de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, seguem conservando suas \u00e1reas mesmo ap\u00f3s o fim dos pagamentos da primeira etapa do CONSERV, projeto conduzido pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia) no Cerrado e na Amaz\u00f4nia brasileira. 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